As tendências e as pulsões instintivas não são
más, o que está mal é separá-las do espírito e desconectá-las dos
valores que lhes proporcionam sua dimensão e sentido.
Ensinar
que cada um pode fazer o que quiser com seu corpo e com os fenômenos
que nele acontecem significa fechar o homem em si mesmo. É
impossibilitá-lo a viver um processo de formação para o amor, que lhe
dê a liberdade interior suficiente para saber hierarquizar os valores e
conceder a primazia aos mais elevados.
Quando os noivos optam e caem nas relações
pré-matrimoniais estão realizando um gesto enganoso e sem sentido. A
relação dos noivos será afetada por este início errado, que costuma
levar à desilusão e à cegueira diante dos valores em torno aos quais o
amor é construído. Estas experiências cegas conduzem os noivos a não
ver os caminhos através dos quais a sexualidade se integra ao dinamismo
do amor, chamando ao compromisso matrimonial.
As relações
pré-matrimoniais fazem com que o homem e a mulher se tornem mais
egoístas, concentrando-os em si mesmos e obsessionando-os com os
impulsos sexuais. Os desorienta e deprime.
O gesto sexual não
deve ser um gesto para o “eu” de cada um, mas para o “nós” do casal e
para a comunidade famíliar e social na qual todo homem nasce para a
vida e deve florescer no amor; isto é, deve ser verdadeiro em todas
suas dimensões. Este gesto de verdade só é assim quando reúne as
condições de compromisso total e definitivo no casamento.
Por
este motivo, a Igreja diz que fora do casamento “por mais firme que for
o propósito daqueles que se comprometem nestas relações prematuras, não
há dúvida de que tais relações não garantem que a sinceridade e a
fidelidade da relação interpessoal entre um homem e uma mulher estejam
asseguradas e, sobretudo, protegidas contra os vaivéns e as veleidades
das paixões”. Não é suficiente o sentimento ou o desejo, nem a atração
e a paixão, nem ainda a decisão parcial do casal.
Fora do
compromisso matrimonial, as relações sexuais são perturbadoras e
desaconselháveis porque emitem um sinal que não corresponde à verdade
das pessoas.
No namoro, a exigência das relações pré-matrimoniais é ilegítima, é uma prática errada ou uma chantagem indigna.
A
cultura dominante atual trata de nos seduzir com a força poderosa e
sutil das imagens e com os impatos afetivos. Por isso, é preciso
distinguir o bem do mal nos níveis mais profundos da afetividade, para
não ser manipulados e arrastados pela libertinagem. Distinguir entre os
bons e os maus espíritos. O hedonismo, a procura de prazeres imediatos
e o subjetivismo moral criam uma confusão desintegradora da
consciência, especialmente entre os jovens.
Referência: Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé. “Declaração sobre certas questões de ética sexual”. Roma. 1975.







